A forma como os usuários interagem com os sistemas SAP está prestes a mudar.
Durante anos, o SAP Fiori Launchpad foi o principal ponto de entrada para aplicações SAP. Depois, o SAP Build Work Zone ampliou essa experiência, criando ambientes mais integrados e personalizados.
Agora, com o avanço da Inteligência Artificial e dos agentes, surge um novo conceito: o Joule Work.
Mas o que muda na prática? O Joule Work será o novo Fiori Launchpad? Significa o fim do Work Zone?
Mais do que uma simples troca de ferramentas, estamos falando de uma mudança na forma como o usuário poderá interagir com todo o ecossistema SAP.
Joule não é mais apenas um chatbot
O primeiro ponto para entender essa transformação é deixar de associar o Joule apenas a um assistente conversacional.
A estratégia da SAP amplia o Joule para um ecossistema de Inteligência Artificial que envolve diferentes tecnologias e recursos, como Joule Work, Joule Studio, Joule Runtime, Agent Hub e AI Units.
A ideia é fazer com que a IA deixe de ser apenas uma ferramenta para responder perguntas e passe a participar efetivamente da execução do trabalho.
E é justamente nesse contexto que o Joule Work ganha importância.
O que é o Joule Work?
O Joule Work representa uma evolução na experiência de trabalho dentro do ecossistema SAP. Hoje, boa parte da experiência de um usuário começa pela busca de uma aplicação. O profissional acessa seu ambiente, encontra o aplicativo correspondente à tarefa, consulta as informações necessárias e executa uma ação.
Com o Joule Work, a lógica tende a mudar. Em vez de começar pelo aplicativo, a experiência passa a começar pela intenção do usuário.
A pergunta deixa de ser: “Qual aplicativo preciso abrir?”
E passa a ser: “O que eu preciso fazer?”
Essa diferença pode parecer simples, mas representa uma transformação importante na experiência SAP.
De uma “gaveta de aplicativos” para um ambiente de trabalho inteligente
O Fiori Launchpad ajudou a organizar o acesso às aplicações de acordo com funções, perfis e necessidades dos usuários. O Joule Work leva esse conceito para outro nível.
A proposta é criar um ponto central capaz de conectar diferentes elementos do ambiente empresarial:
aplicações + dados + contexto de negócio + AI Agents.
Em vez de o usuário navegar por diferentes sistemas e telas para concluir uma atividade, a IA pode ajudar a identificar os recursos necessários para aquela intenção e apoiar a execução da tarefa.
Entram nesse cenário também os Spaces, que podem combinar aplicações e agentes em torno de determinadas rotinas de trabalho. O objetivo deixa de ser apenas apresentar informações.
Passa a ser ajudar o usuário a executar o trabalho.
O Joule Work substitui os aplicativos SAP?
Não.
Aplicações desenvolvidas no SAP BTP, no SAP S/4HANA ou em outras soluções continuam tendo seu papel. O Joule Work funciona como uma camada de experiência e orquestração sobre esses recursos.
Isso significa que, em vez de exigir que o usuário conheça exatamente onde está cada funcionalidade, a experiência pode se tornar mais contextual e conversacional.
Imagine, por exemplo, um gestor que precisa entender determinada situação de negócio.
Hoje, ele pode precisar acessar um dashboard, consultar dados em outra aplicação, verificar uma planilha e depois entrar em outro sistema para executar uma ação.
Em uma experiência orientada por IA, a intenção pode ser o ponto de partida.
O ambiente identifica dados, aplicações e agentes relacionados àquela necessidade e ajuda o usuário a chegar ao resultado.
E o SAP Build Work Zone? Vai acabar?
Mais do que pensar simplesmente no “fim” do Work Zone, é importante observar a evolução da experiência proposta pela SAP.
Podemos enxergar essa transformação em três momentos:
Fiori Launchpad: centralização do acesso às aplicações.
SAP Build Work Zone: criação de experiências digitais mais integradas e personalizadas.
Joule Work: experiência orientada por intenção, combinando aplicações, dados e agentes de IA.
A diferença está justamente no ponto de partida.
Em vez de organizar apenas onde o usuário deve clicar, a nova experiência busca entender o que ele precisa realizar.
Clean Core se torna ainda mais importante
Existe, porém, um ponto fundamental para que esse modelo funcione: a qualidade da arquitetura que está por trás da experiência.
Um agente de IA precisa encontrar dados, compreender contextos, acessar aplicações e interagir com processos de maneira segura.
Em ambientes altamente customizados, com integrações pouco padronizadas e dependência de desenvolvimentos específicos, essa jornada pode se tornar mais complexa.
É por isso que Clean Core ganha ainda mais relevância em uma estratégia de Inteligência Artificial para SAP.
Manter o core mais próximo do standard, estruturar extensões adequadamente e utilizar uma arquitetura preparada para integração facilita a evolução do ambiente.
Clean Core deixa, portanto, de ser apenas uma discussão relacionada a upgrades ou redução de customizações.
Ele passa a ser também um habilitador para um cenário no qual aplicações, dados e agentes precisam trabalhar de forma integrada.
Joule Work Desktop amplia essa experiência
Outro componente importante dessa estratégia é o Joule Work Desktop.
A proposta é levar essa experiência diretamente para a máquina do usuário, permitindo interação também com informações e arquivos locais, como planilhas e documentos.
Isso pode ser especialmente relevante para empresas que ainda trabalham com ambientes híbridos ou legados, incluindo cenários com SAP ECC ou S/4HANA on-premise.
Na prática, a evolução da experiência com IA não precisa estar restrita apenas às empresas que já concluíram completamente sua jornada para cloud.
O usuário precisará abrir cada vez menos aplicações?
Essa talvez seja uma das consequências mais interessantes dessa mudança.
Durante anos, uma parte importante dos projetos de experiência SAP esteve relacionada a facilitar a navegação: organizar menus, configurar tiles, desenvolver dashboards e simplificar o acesso às aplicações.
Com agentes de IA, a lógica começa a mudar.
O usuário não necessariamente precisa saber em qual aplicação está determinada informação.
Ele precisa saber o que quer fazer.
A camada inteligente pode ajudá-lo a encontrar os dados, processos, aplicações e agentes necessários para executar aquela atividade.
Isso não significa que as interfaces tradicionais desaparecerão.
Significa que elas podem deixar de ser, em muitos casos, o primeiro ponto de interação.
O futuro da experiência SAP é orientado por intenção
O Joule Work sinaliza uma transformação que vai além de uma nova interface.
Estamos caminhando de um modelo baseado em:
usuário → aplicação → informação → ação
para um modelo mais próximo de:
usuário → intenção → IA → dados + aplicações + agentes → ação.
Essa mudança também aproxima temas que muitas empresas ainda tratam separadamente.
Clean Core, SAP BTP, integração, dados e Inteligência Artificial passam a fazer parte da mesma estratégia de evolução do ambiente SAP.
Por isso, preparar-se para o Joule não significa simplesmente ativar uma nova funcionalidade de IA.
Significa avaliar se dados, processos, integrações, extensões e arquitetura estão preparados para uma experiência na qual sistemas e agentes trabalharão cada vez mais de forma integrada.
No fim, a pergunta talvez não seja apenas se o Joule Work será o novo Fiori Launchpad ou o sucessor do Work Zone.
A questão mais importante é outra:
Sua arquitetura SAP está preparada para uma experiência em que o usuário diz o que precisa fazer — e a tecnologia encontra o melhor caminho para executar?
A Lab2dev apoia empresas na evolução de seus ambientes SAP, conectando estratégias de Clean Core, SAP BTP, integração e Inteligência Artificial para preparar a arquitetura para essa nova realidade.
Quer entender como preparar seu ambiente SAP para o Joule e para a próxima geração de agentes de IA? Fale com nosso time.